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“Não vim para brincar”, afirma Tarcísio Cardoso

Com jeito mineiro e experiência paulista, Tarcísio Cardoso já encontra-se hospedado no Parque Santiago/Foto: Murilo Gitel/Ascom

O pensamento de trazer um técnico de fora da Bahia para comandar o Galícia em 2010 começou a ganhar corpo desde o ano passado. A partir de então, o nome de Tarcísio Cardoso da Mota passou a ser observado com mais atenção. Mineiro de Paracatu, mas radicado em São Paulo há cerca de 30 anos, este profissional de aparência humilde e olhar determinado estava trabalhando como auxiliar dos profissionais do Clube Atlético Monte Azul, atualmente na primeira divisão do Campeonato Paulista.

Por volta das 23h de segunda-feira, 22 de fevereiro, Tarcísio Cardoso desembarcava em Salvador rumo ao Parque Santiago, sua nova morada nos próximos meses. Ele deixou um emprego fixo em seu antigo clube e o convívio da família para aceitar o desafio de ajudar o Galícia a retornar à elite do futebol baiano em 2010.

Na terça-feira, 23, ele concedeu entrevista à assessoria de comunicação do Galícia, na qual revelou o que pensa sobre essa oportunidade. É dele a missão de formar a equipe que vai disputar o Campeonato Baiano da Segunda Divisão, que começa no dia 4 de abril.

Com a palavra, o comandante.

Desde quando o senhor trabalha com o futebol?
Comecei minha carreira como jogador no Gama e posteriormente fui para o Vila Nova-GO. Lá eu cheguei a ser campeão goiano na década de 1980. Depois eu fui contratado pelo Taguaritinga, do interior de São Paulo, onde eu fiz um bom Campeonato Paulista. Então eu comecei a rodar pelo interior de São Paulo. Joguei também no futebol paranaense e retornei para São Paulo, onde encerrei minha carreira no Olímpia (em 1988) – que hoje está na terceira divisão do Paulista, mas já esteve na primeira.

Como treinador eu sou discípulo de Otacílio Pires de Camargo, mais conhecido como Cilinho. Passamos então a trabalhar juntos. Por onde ele andava eu era convidado a ir junto. Fui auxiliar dele na Base tanto do São Paulo como do Corinthians. Depois de seis anos ele resolveu se aposentar. Foi quando eu comecei a caminhar sozinho. Trabalhei no Votuporanguense, onde fui técnico e ascendi da série B para a A-3 do Paulista. Hoje os direitos do clube foram licenciados e ele está federado com o nome de Hortolândia.

Fui para a Associação Desportiva Guarujá, que disputa o Paulista Sub-23 (a chamada série B), e depois ajudei a subir os profissionais do Monte Azul. Na sequência, já em 2008, o presidente do Monte Azul [Ricardo Arroyo], que é um cara novo e tem a cabeça muito boa, me convidou para trabalhar com as categorias de base do clube. Chegamos perto das finais em 2009, graças à boa estrutura que eles têm lá. Trabalhei como coordenador dos profissionais na volta do Monte Azul à elite do Paulistão, e agora estou aqui.

Quais são as informações que o senhor possui sobre o Galícia?
Eu sempre gostei muito de acompanhar o futebol. Sei da grandeza do Galícia, o que muito me honra por estar aqui agora. Acompanhava os resultados do Campeonato Baiano ainda na época em que o Galícia estava na primeira divisão. Agora, aqui no Parque Santiago, tenho sido constantemente informado sobre o clube. Espero que Deus nos abençoe! Torço que ele nos dê a oportunidade de ajudar o Galícia a voltar para a primeira divisão.

O senhor é religioso?
Sou evangélico, da Congregação Cristã do Brasil, mas respeito as crenças de todas as pessoas.

Quais são os teus principais objetivos no comando do clube?
Montar uma equipe que fique entre as duas melhores da competição. Primeiramente é se classificar no grupo para depois lutar pela vaga às finais. A prioridade é essa. Depois vamos nos dedicar a outras questões importantes, como revelar os jogadores das categorias de base, fazer um trabalho mais intensivo nesse sentido, com a estrutura necessária. Não deixei São Paulo para vir à Bahia à toa. Não vim para brincar: estou aqui para ser no mínimo vice-campeão. Minha família está lá, assim como o emprego fixo que eu tinha no Monte Azul. Estou no Galícia para vencer!

A tua carreira de técnico foi feita basicamente em São Paulo. Com o passar do tempo nós vamos conhecer como o senhor gosta de trabalhar. Mas como o Tarcísio Cardoso se define? Jogas com o time na beira do campo ou és mais retraído?
Tudo depende das condições do jogo. O treinador só vai se esguelar à beira do campo se a equipe dele não estiver rendendo. Se você orienta a sua equipe durante a semana e ela é inteligente, corresponde dentro de campo, você vai falar e gesticular menos. Agora se ela estiver uma bagunça, eu viro bicho. Gosto da equipe “pegadora”, vibrante. As divisões inferiores do Campeonato Paulista são nesse estilo, de pegada. Os caras não podem nem pensar em dominar a bola que já tem gente no cangote deles. Temos que ter um time inteligente, que saiba envolver o adversário quando tem a bola e marcar sem ela. Minha equipe tem que ser “arrumadinha” em campo e muito guerreira.

E como o senhor gosta de ver a concentração antes dos jogos?
Eu sou um cara que procuro ser amigo dos atletas, mas há limites. Concentração, por exemplo, é para concentrar. Sou chato em relação a esse ponto. Jogador não pode usar celular às vésperas do jogo. Tira a atenção. Imagine um empresário, familiares, namorada em contato com o atleta no dia de jogo… Ele precisa estar concentrado.

O que a diretoria conversou com o senhor a respeito de contratações?
Quero estar com 50% do time até segunda-feira. A direção e os empresários de confiança dela têm ao todo 26 jogadores aqui. Irei avaliá-los até domingo. Os que tiverem qualidade ficarão. Os que não tiverem, infelizmente terei que dispensar. Só então veremos a questão “contratações”.

Há a possibilidade de o senhor indicar jogadores do futebol paulista?
Sim, caso a diretoria ache conveniente. O problema nesse caso é a questão salarial, já que lá [em São Paulo] o mercado trabalha com pisos salariais mais altos do que em outras regiões do Brasil.

Existem técnicos que gostam de trabalhar no sistema 4-4-2, outros no 3-5-2, e hoje a moda aqui no Brasil já parece ser o 4-2-3-1. O senhor tem uma formação técnica preferida?
Depende muito do material humano à disposição. Se eu tiver atletas no grupo que se adaptam melhor ao 4-4-2, o melhor esquema é o 4-4-2. Já se as características deles façam com que o time jogue melhor no 3-5-2, então este é o melhor esquema. Agora, eu confesso que gosto da proposta do 3-5-2. Só não defino nada antes de observar.

Qual é a sua impressão inicial sobre a estrutura do Galícia?
Agrada-me bastante. O único problema é o campo para os treinamentos, pois a qualidade do gramado deixa a desejar. Mas a diretoria sinalizou que poderemos treinar em outro lugar antes da competição. O trabalho físico dá para fazer aqui, mas o tático, coletivo, de finalizações, fica complicado. É até perigoso perdermos algum jogador para determinada partida. No mais, não tenho nada a reclamar. Estou gostando.

O Galícia está há 11 anos na segunda divisão estadual, fato este que incomoda bastante os torcedores do clube. Preparado para as cobranças?
Há cobranças em tudo na nossa vida. Você é cobrado no seu jornal, na sua emissora, eu também sou na minha profissão. Imagine o que é trabalhar em um Corinthians. Lá, mesmo na base, a pressão é enorme. Mesmo assim, eu sempre superei isso com a qualidade do trabalho. Eu gosto de críticas construtivas. Sei que serei criticado, mas estou preparado. A crítica positiva eu quero no final do campeonato. É lá que ela vale.

Se pudesse mandar um recado para o torcedor do Galícia, qual seria a mensagem?
Vamos precisar de todos vocês. O momento é de união, de agregar em prol de um objetivo único, que está relacionado a nós todos. Compareçam aos jogos do Galícia, nos incentive, que se Deus quiser chegaremos às finais. Um grande abraço!

Perfil

Nome: Tarcísio Cardoso da Mota
Data de nascimento: 13/9/1959
Cidade natal: Paracatu-MG.
Principais clubes como jogador: Gama-DF, Vila Nova-GO (campeão goiano), Taguaritinga-SP, Londrina-PR e Olímpia-SP.
Clubes como técnico: Monte Azul (2001-2008-2009), América de Rio Preto (2002), Guarujá (2003) e Votuporanguense (2003).
Clubes como auxiliar técnico: América de Rio Preto (2002), São Paulo (2004-2006), Corinthians (2007) e Monte Azul (2009-2010).